Vidas indígenas importam


Vidas indígenas importam e o dia 19 de abril deve ser um dia de reivindicação. A famosa frase: “Eles estão na cultura, na história e, principalmente, no sangue do Brasil” deveria ser substituída por: “Eles estão na nossa cultura e, principalmente, o sangue deles está derramado pela nossa história e nas terras do Brasil”.


Para os nossos povos originários existe o silêncio. Silenciam quando adolescentes são mortas após serem estupradas por garimpeiros. Silenciam quando suas aldeias e terras estão sendo destruídas e roubadas. Silenciam quando morrem por doenças infectocontagiosas trazidas por aqueles que só objetivam a exploração.


No dia 19 de abril iremos observar manifestações escolares com fantasias que remetem àquele indígena de 1500 e a verdadeira causa não será discutida. Ao invés de fantasiarmos nossas crianças, devemos vestir a camisa do respeito e explicar que o Brasil possui mais 250 povos indígenas que falam cerca de 180 línguas; que atualmente o cidadão originário é contemporâneo; que usar a denominação índio carrega a dor de séculos de exploração; que eles possuem acesso à tecnologia, à universidade e detém os mesmos direitos que nós. Devemos provocar a ruptura de preconceitos ancestrais que os colocam como pessoas à parte da sociedade ocidental.


Os povos originários vivem em situação precária de abandono e pobreza. Os avanços na política estão longe de proteger os direitos deles e não promovem melhorias nas áreas da educação, saúde, proteção ao meio ambiente, direito à terra e manutenção de sua cultura. A Lei 11.645/08 inclui a cultura indígena no currículo escolar brasileiro, porém o tema não é distribuído pelas disciplinas, ficando restrito aos livros de história.


Que nesta data e ao longo de todo ano, pois logo entraremos em período eleitoral, a sociedade exija respeito e cobre das autoridades políticas públicas para o cumprimento da legislação para a proteção, inclusão e mais oportunidades para os povos originários.

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